Feminismo contemporâneo, uma visão a ser compartilhada!!

Judith Butler, nascida em 24 de fevereiro de 1956, filosofa pós-estruturalista americana. Seu trabalho contribui na teoria feminista contemporânea, teoria queer, filosofia politica e ética. Atuando como professora de retorica e literatura comparada na Universidade da Califórnia. Seus estudos transita por diversas áreas como a psicanalise, teorias feministas, ideias pós-estruturalista e antropologia para problematizar a identidade, revelando-a provisória e em constante formação/reconstrução.

O texto Problemas de Gênero: feminismo e subversão da identidade, 1990, é provocativo e não é fácil de ler. A autora fala do feminismo de dentro do movimento, apontando questões delicadas e que causam divergências entre as próprias feministas, além de serem pontos de tensões para discussões extra-feminismo.

No texto a autora deixa claro que o feminismo é uma luta pelos direitos das mulheres. Mas isso não é tão simples, afinal de contas, quem são essas “mulheres”? como é definido “mulher”? Essa categoria revela-se problemática, porque quanto mais genérica e abstrata é considerada menos representativa se torna. Butler desenvolve seu raciocínio afirmando que o feminismo é também uma desconstrução de “mulheres”, avançando para a desconstrução da categoria “homens” e, no extremo de sua racionalização, de gênero como um todo. Pois ao delimitar o sujeito do feminismo é também delimitar seu alcance, causando exclusões.

Compreender a questão da “performatividade” é fundamental para entendimento do texto. Butler afirma que palavras provocam ações e atuações, isto é, que as palavras agem. Consequentemente todas as teorias existentes tem um efeito em sujeitos concretos. A autora provoca a “verdade” que se confunde com o discurso de poder. A critica não muito bem compreendida ao feminismo que, por assim dizer, critica algo estabelecido ao mesmo tempo em que conserva algo desse objeto criticado. O uso do “binarismo” de gênero no feminismo vai ser a critica central de Judith Butler, a ideia dessas categorias polarizadas homem x mulher, masculino  x feminino são a “verdade”, e essa por sua vez, é um discurso heteronormativo excludente. Onde afinal as singularidades humanas estão representadas nesse conceito binário? Simplesmente, não estão. Deste modo o feminismo corrobora com exatamente aquilo que pretende criticar. Butler sugere que aja uma expansão do feminismo, através de uma desmontagem de todo tipo de identidade de gênero que oprime as singularidades humanas, é uma expansão a fim de abraçar todos aqueles que são considerados “inadequados” e “destoantes” do binarismo de gênero.

Outro problema dessa identidade criada comum e limitante é que ela não dialoga com outros “tipos” de identidade como raciais, sexuais, regionais, classistas e étnicas.

A filosofa trabalha com uma vasta bibliografia, dialogando, comparando e levantando questionamentos pertinentes a discussão que se é pretendida. Por isso, ao meu ver, a leitura se torna muito dificil. É preciso familiarizar-se minimamente com as ideias de Michel Foucault, Simone de Beauvoir, Luce Irigaray, Monique Wittig, entre outros.  Mas ainda sim, uma leitura interessante e estimulante que causa controvérsias. Não pretendo nesse relatório me aprofundar na argumentação de Judith Butler, pois não ha uma forma de simplificar a complexidade da discussão.

Para ilustrar o que seria na pratica o feminismo de Butler:

 ou ainda nossa querida Hermione:

Butler diz que a identidade é constantemente (re)construída/formada o feminismo também o é, compartilhando dessa característica dinâmica. A discussão agora é outra.

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